Douglas
Candal (1111)
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Texto teatral
Sobre
reinados e guerras
Rei Eduardo
(apreciando o céu) – Mas é um bom dia, de fato.
Lionel
– Como lhe disse, meu rei. As terras estão férteis
de novo e os vestígios da tempestade se foram.
(na ponte o rei e
o bravo conquistador podiam ver as terras do reino claramente)
Lionel
(mudando a expressão) – e, finalmente, poderemos começar
a nossa expansão.
Eduardo
– Sim, meu caro, você tem sido o mais leal de todos os meus
servos, aliás, sempre foi um explorador nato. Um conquistador
nato.
(vários vassalos
se encontram um pouco afastados do rei).
Eduardo
(virando-se e falando alto) – Amera! Aproxime-se!
(uma menina se aproxima,
dez anos, no máximo)
Amera
– (um pouco amedrontada) – Sim...?
Eduardo
– Amera, minha cara. Seu pai, meu irmão, lhe deixou aos
meus cuidados em seu leito de morte, quero que saiba que és como
minha filha. E, como tal, um dia parte disso será seu.
Lionel
(olhando para a menina, pensativo) – Isso mesmo, minha dama. Observe
estes campos de trigo, essas plantações... são
as melhores na Europa! E muito belas também.
Amera
(ainda muito reservada) – Muito belas (deixa um leve sorriso escapar).
Lionel
– Meu rei, devo preparar a milícia e os mercenários?
Eduardo
– Vá. Infelizmente a paz e a tranqüilidade desse momento
não durarão para sempre. Jovens morrerão, jovens
matarão. Os rugidos da guerra já ecoam em meus ouvidos.
(Lionel, em silêncio,
balança a cabeça. Amera apenas observa com olhos inocentes)
Eduardo
(Caminhando) – Eu espero, Amera, que você um dia consiga
reinar sem guerra, sem tristeza. Eu busquei por isso toda a minha vida
e, quanto mais procurava, mais guerreava, mais matava. Para um rei parece
simples, ele não lutará suas guerras, mas saber que meu
povo sofre cada vez que tenho que tomar essa decisão não
é fácil. (dizendo isso, segue caminhando).